Relato de Parto Ju e Biel

por Júlia Linhares

A data prevista para o parto era dia 23 de março de 13, na minha cabeça ele nasceria dia 19 ou 20 de março. Algo me dizia que ele seria do signo de peixes.

Fiz 39 semanas no sábado, dia 16 de março de 2013, e na hora de me arrumar para dormir, fui fazer xixi e ao me limpar percebi que meu tampão mucoso começou a sair.

Pronto, o processo de alguma forma estava começando naquele momento. Racionalmente sabia que o trabalho de parto (TP) poderia começar nas próximas horas ou demorar uma semana, mas fato é que ele ia começar. Terminei de me arrumar e fui dormir.

Na semana que antecedeu ao parto, dormir estava um tanto quanto incomodo. Cada vez mais era difícil deitar, virar e me levantar da cama. Junto com isso, o número de idas ao banheiro tinha aumentado (cerca de cinco/ seis vezes por noite). Curiosamente na noite que antecedeu ao TP, não acordei uma única vez para ir ao banheiro!

Acordei por volta das sete e meia da manhã de domingo para ir ao banheiro achando que ainda era de madrugada. Fiquei feliz ao ver que a noite tinha passado e eu não tinha acordado uma única vez. Ao levantar da cama, senti um liquido escorrendo pelas minhas pernas. Pronto, minha bolsa estourou! Fui molhando o caminho da cama até o banheiro e pensando: “Graças a Deus que não estourou no colchão novo”. Ao me limpar percebi que o tampão mucoso ainda estava saindo. Coloquei o absorvente pós-parto (o líquido amniótico continuava escorrendo), sequei o chão, avisei ao marido do rompimento da bolsa, falei para ele continuar dormindo e resolvi mandar torpedos para minha obstetra e para E.O.

Rodrigo e eu tínhamos combinado não contar do início do TP para ninguém, nem para nossos pais. Queríamos curtir esse momento juntos, sem pressão, sem ansiedade.

Fui comer alguma coisa e terminar de arrumar a mala da maternidade. A maioria das coisas já estavam separadas, faltava apenas colocar tudo dentro da mala. Depois que fiz isso, voltei a dormir. Consegui dormir mais um pouco, quando acordei marido já estava de pé. Durante a parte da manhã as contrações eram irregulares, cerca de 4 por hora e me lembravam cólica menstrual.

No início da tarde, a Dra. Fernanda me ligou para saber como estava o andamento do TP, expliquei o que estava sentindo e ela me explicou que provavelmente os meus sintomas iriam diminuir durante a tarde, para eu não ficar encucada, que a ocitocina é um hormônio da noite, que provavelmente as contrações iriam aparecer com mais força a noitinha.

Durante a parte da tarde as contrações se mantiveram irregulares, cerca de quatro ou cinco por hora, mas começaram a ficar um pouco mais doloridas. Em cada contração eu sentia que o liquido amniótico saia mais um pouco. A cada contração eu ligava um brinquedinho musical que o Biel ganhou de um casal de amigos. A música ia nos embalando durante a contração.

Lembrando da explicação da minha médica sobre a ocitocina ser um hormônio da noite e o que aprendi no livro do Michel Odent sobre a questão dos estímulos ao neocortex, eu achei que tinha que ficar num quarto escuro, sem muitos estímulos curtindo as contrações para o TP evoluir  – olha aí a minha tendência de controlar o incontrolável. Por volta de quatro e pouco da tarde falei com a Kira que me sugeriu ir dar uma caminhada, uma relaxada, para me distrair e deixar as coisas acontecerem.

Cheguei a descer com o Rodrigo, caminhamos um pouco, mas começou a chover, tivemos que voltar para casa.

Por volta de seis e meia da tarde, minha obstetra me ligou dizendo que uma outra E.O, a Diana, (que também faz parte da equipe) viria aqui em casa ver como estava o andamento do TP, ver os batimentos cardíacos do Biel, etc. Ela chegou aqui por volta de sete e meia da noite, a esta altura as contrações estavam ficando mais intensas, mais doloridas. A cada contração o meu corpo se contraía por inteiro.

Ela aferiu minha pressão, viu os batimentos cardíacos do Biel, das artérias, do cordão umbilical, tudo perfeito. Enquanto ela estava aqui pintou uma contração e foi bom porque ela pode acompanhar a evolução e a recuperação do Biel.

Depois que a Diana saiu daqui, resolvemos lanchar. Pedimos comida e seguindo o conselho da Diana pedi um suco de melancia com gengibre. Não dizem que comidas picantes ajudam no TP? Era a hora de tentar! Aquela altura as contrações estavam começando a ficar bem incomodas. A cada contração meu corpo se contraía por inteiro.

Neste momento mandei mensagem para minha obstetra, falei que estava monitorando as contrações, expliquei que elas já estavam intensas e constantes.

Ela me conhecendo e sabendo da minha tendência de querer controlar a situação respondeu: “Oi Ju, lembra da máxima do Odent que a adrenalina é antagonista da ocitocina? Enquanto você estiver esperando as contrações elas não virão. Relaxe e não conte. Quando a coisa apertar você vai perceber. Passe a função de contar para o Rodrigo, desde que ele não te passe o relatório. Apenas surfe na onda e confie no seu corpo. Beijos”

Fiz o que ela mandou, Rodrigo assumiu o controle. Logo em seguida, ligamos para a Kira e pedimos para ela vir aqui para casa, pois as contrações já estavam constantes, ritmadas e bem doloridas. Ela passou algumas instruções para o Rodrigo, dentre elas me colocar debaixo do chuveiro com água quente.

Sentei debaixo do chuveiro, no chão mesmo e deixei a água bem quente cair sobre o meu corpo. A cada contração eu fazia uma conchinha com a mão e jogava a água na barriga, isso ajudava e muito a aliviar a dor. Quando a Kira chegou esse recurso já não adiantava mais, as contrações já estavam bem forte e incômodas.

Neste momento, ela me ensinou uma das coisas mais valiosas do TP: como passar pela contração. Ela percebeu que ao iniciar a contração, eu estava contraindo todos os músculos do meu corpo e explicou que eu deveria fazer justamente o contrário. Então, depois de absorver o que ela me falou – porque acreditem, neste momento você já está num universo paralelo chamado partolândia e o seu corpo tem vida e vontade própria – eu desenvolvi um método de respiração e relaxamento. A cada contração, eu me concentrava, respirava profundamente e relaxava todos os músculos do meu corpo. Isso me ajudou e foi fundamental.

Fiquei debaixo do chuveiro por mais alguns minutos e até que ela me tirou de lá, me levou para cama. Aferiu os batimentos cardíacos do Biel e viu a minha dilatação. Eu tinha combinado com ela e com a Fê, que eu não queria saber quanto eu estava de dilatação.

Em algum momento a Kira e a Dra. Fernanda decidiram que já era o momento de ir para a maternidade, por volta de meia-noite e meia/ uma da manhã. Nesta hora, Rodrigo foi tomar banho e terminar de se arrumar. Ao mesmo tempo, a Dra. estava checando em qual unidade tinha vaga no quarto de parto humanizado.

A Kira veio me perguntar se eu topava ir para a unidade mais distante ou se preferia ir para a unidade perto de casa e ficar num quarto comum. Lembrei do relato de uma amiga, na qual ela me falou que o trajeto tinha sido uma das piores partes do TP. Por conta disso, cheguei a titubear, mas acabei optando pela unidade mais longe.

Marido pediu um táxi. Ele e a Kira se encarregaram de levar tudo, eu só lembro de ter pego o meu travesseiro. Sempre fiquei imaginando se o taxista ao ver que era uma gestante em trabalho de parto se ele iria recusar a corrida (hahaha), mas não, ele foi tranquilo, colocou uma música baixa e foi rápido, mas sem ir correndo.

Entrei no carro, fechei os olhos, agarrei fortemente o travesseiro contra a minha barriga e fazia a técnica que desenvolvi com a dica da Kira. Isso junto com o balancinho do carro me ajudava a relaxar. Acho que nunca curti tanto uma rua com asfalto irregular…

A esta altura já tinha percebido um padrão nas contrações. Dificilmente vinham duas contrações bizarramente doloridas uma atrás da outra. Normalmente vinham umas duas ou três fracas ou medianas, aí vinha uma fortona. Diante disso, durante o trajeto eu tive apenas duas contrações bem dolorosas.

Chegamos na maternidade por volta das duas da manhã. Mal saí do táxi e veio o segurança com a cadeira de rodas. A minha obstetra já estava lá, na porta da maternidade me esperando. Ela perguntou se eu precisava da cadeira e eu, metida a corajosa, falei que não. Eu já estava no corredor, mas veio uma contração, daquelas mega fortes, e eu implorei pela cadeira de rodas. Percebi que era impossível colocar em prática a minha técnica de “passar pela contração” em pé, andando.

Ao mesmo tempo, o recepcionista da maternidade quis “me barrar”, dizendo que eu tinha que fazer a pré-internação, assinar documentos, essas burocracias. Lembro da minha obstetra ter respondido de forma firme algo do gênero: “ela está em trabalho de parto avançado, quase parindo, não vai parar para nada” Minha ídola! Seria impossível ficar ali preenchendo formalidades. Lembro que o Rodrigo ficou para fazer algo e eu segui para o centro cirúrgico.

Para chegar na sala de parto natural/humanizado é preciso passar pelo centro cirúrgico e vestiário, ali precisei trocar o vestido para colocar aquela camisola de hospital, touca e sapato descartável. No meu mundo ideal eu estaria consciente para colocar o biquíni que tinha separado, mas a esta altura eu já estava com o corpo inteiro na partolândia e querendo chegar o mais rápido possível na banheira da sala de parto.

Lembro de estar aguardando sentadinha num banco de madeira do vestiário nada
confortável quando veio uma contração muito muito forte. Lembro que avisei a Fernanda que estava vindo uma das fortes, mas não lembro de muitos detalhes.

Chegando na sala de parto, deitei na cama para verem a minha dilatação. E apesar delas
terem trocado informações bem baixinho, desta vez eu escutei que estava com 9cm de dilatação. Meu neocortex agradeceu. Pode parecer contraditório (e de fato é), mas
apesar de conscientemente não querer receber informações, foi bom saber que tudo
estava caminhando.

O trabalho de parto é um momento de muita introspecção para a mulher. Arrisco a dizer que é solitário também. Apesar de estar de corpo presente naquela sala, muitas vezes a minha mente voava longe e ia de encontro com os mais variados pensamentos e medos, que devido a concentração e a entrega do momento ficaram só na minha mente.

Continuei na cama para receber o antibiótico de profilaxia. Aqui cabe um parênteses, eu
tenho um sopro no coração congênito (PCA), que nunca me causou nenhum problema ou restrição, mas todo e qualquer procedimento “cirúrgico” ou que envolve risco de infecção eu preciso fazer profilaxia. Sendo assim veio uma enfermeira da maternidade para fazer o acesso venoso.

Dali segui para a banheira, que aquela altura já estava cheia de água quentinha e com a hidromassagem ligada. A luz do banheiro estava apagada. A cada contração eu jogava cada vez mais água na barriga e tentava relaxar os músculos do meu corpo. Entre uma contração e outra eu cheguei a cochilar. Fiquei assim um bom tempo, só eu e Rodrigo.

Até que a minha técnica de relaxar os músculos começou a não surtir efeito. As contrações estavam vindo cada vez mais fortes, num espaço de tempo menor. Com medo de assustar o Rodrigo, pedi para ele sair e chamar a Kira. Ela chegou e sugeriu que eu saísse da banheira. Tentei algumas vezes, mas as contrações não me permitiam fazer força para levantar. Pelo contrário… Em uma das contrações agarrei/ abracei fortemente as pernas da Kira e falei que estavam doendo muito. Neste momento, pensei alto e cheguei a pedir anestesia, mas mal terminei a frase e falei que não queria:
– “Kira, quero anestesia! quero mais não!” (louca!)

Consegui sair da banheira e chegar na cama do quarto. Neste momento estava sentindo frio e por mais que tivesse secado o corpo, o cabelo estava molhado. Tentei algumas posições como ficar de cócoras, mas simplesmente era im-pos-sí-vel para mim. As contrações estavam cada vez mais intensas e dolorosas. Deitei na cama meio de lado, com a perna direita levantada apoiada na barra de ferro da cama.

Biel já estava no canal vaginal e a cada contração ele descia um pouquinho. Rodrigo ficou do meu lado, ora segurando minha mão ora me fazendo carinho, me dando beijo e assim ficou até o final.

Comecei a sentir uma tímida vontade de fazer força, uma vontade consciente. Aos poucos o meu corpo foi assumindo o controle. A contração vinha, eu aproveitava o apoio da perna direita na barra de ferro e fazia força contra ela usando os braços. Junto com a força eu gritava.

Até que minha obstetra me alertou:
– “Ju, você está fazendo força para dentro e não para fora”

Levei alguns segundos para processar a informação e a verdade era que eu estava com medo de fazer cocô. Demorei algumas contrações para entender o que eu tinha que fazer e me desprender do medo. Quando isso aconteceu, a cada contração eu fazia força e gritava. É como se a vontade de gritar ajudasse no processo de expurgar a dor. Depois de algum tempo, ela pediu para eu mudar a posição para ajudar o Biel. Ele já estava no final do canal vaginal, mas ao invés de descer fazendo a rotação, ele desceu sem rotacionar. Neste momento fiquei na posição quatro apoios e a cada contração eu fazia força, até que ele fez a rotação e eu voltei para a posição que eu estava anteriormente.

Voltei a fazer força e gritar, foi quando a Fernanda me deu outro toque importante:
“Júlia, você está perdendo sua energia gritando desta forma, use a contração para fazer força, mas use sua respiração”. A partir daquele momento, foquei minha energia e concentração na respiração. A contração vinha, meu corpo automaticamente começava a fazer força e eu dava prosseguimento ajudando com a respiração.

Mesmo focando minha energia na respiração e contração, Biel terminava a descida no canal vaginal de forma lenta. A esta altura as contrações eram as mais dolorosas, duravam mais tempo e os intervalos eram menores. Neste momento, Dra. Fernanda falou: “ao invés começar a fazer força no início da contração, espera ela ficar bem forte, aí sim faz força, com uma série de respirações seguidas, continuando até o final da contração”.

Este é um momento do TP que você acha que não vai acabar nunca. Você dúvida do seu corpo, você encontra os seus medos e neles você tem que buscar força para sair dali e parir seu filho. Nessa hora, o apoio do meu marido e da equipe que escolhi foram fundamentais. Pois quando você duvida de você mesma, eles acreditam e te passam a certeza e a segurança de que está tudo no caminho certo.

Kira, com suas doces palavras, me falou em uma das contrações: “se entrega, lembra que a contração é sua amiga, é ela que trará o seu bebê para você”. Fernanda complementou: “chegou aquele momento que conversamos diversas vezes nas consultas, chegou o momento em que você tem se jogar do paraquedas”.

Absorvi aquelas frases. Decidi parir. Uma força tomou conta do meu corpo, eu me concentrei ainda mais na contração. De vez em quando eu chamava pelo meu filho.

Num dos intervalos entre uma contração e outra, Dra. Fernanda comentou: “vamos Ju… falta pouco, estou vendo ele… sente seu filho, coloca a mão na cabeça dele”.

Lembro que estiquei meu braço receosa, sempre tive um certo nervoso desta cena, mas era meu filho nascendo, era o momento de vencer todas as minhas barreiras, medos e frescuras. Toquei sua cabeça, seus cabelos, aquilo me deu força para continuar. Eu já não aguentava mais, nesse momento veio mais uma contração e de fato sua cabeça começou a sair. Foi a maior dor da minha vida. Sensação de que de fato tinha algo me rasgando ou de uma forma poética, matando aquela a velha Júlia, para nascer uma nova.

Nessa hora eu gritei com a Dra.: “Fernanda, o que você está fazendo? tira a mão daí”. A sensação que eu tinha, é que ela estava com a mão dentro de mim. Eu lembro com muita lucidez desta hora. Ela, calmamente, quase sorrindo, respondeu: “Ju, não estou te encostando, é o seu filho saindo”. Ao mesmo tempo ela levantou as mãos para o alto, como se quisesse comprovar que não estava encostando um dedo se quer em mim.

A contração foi embora e Biel estava no meio do caminho, a dor era insuportável. Lembro de ter pedido um pouco de água para molhar a minha boca enquanto não chegava a próxima contração. Esses momentos finais são um pouco confusos em minha cabeça. Em mais uma ou duas contrações, fazendo força e sentindo a maior dor física da minha vida, Biel nasceu, às seis e seis da manhã de uma segunda-feira chuvosa de março.

Ele saiu de dentro de mim, sem chorar e veio imediatamente das mãos da Dra. Fernanda para o meu colo e ali ficou por mais de uma hora. Segundo meu marido, ele veio para o meu colo, de olhos abertos, me olhando. Meus olhos encheram de água, mas eu não chorei. O amor mais lindo e puro estava em meus braços e chorar deixaria minha visão turva.

Ficamos ali, os três abraçados, meio sem jeito, sem acreditar em tudo que tínhamos vivido nas últimas horas. Kira registrou o momento com algumas imagens. Após o cordão umbilical parar de pulsar, Rodrigo o cortou.

Biel ainda ficou no meu colo, tentando mamar, cheirando, lambendo, mamando e descobrindo o mundo. Depois de parir o meu filho, tinha que parir a placenta, que por sua vez, estava apegada e não queria sair. Foi necessário uma força tarefa: Biel mamando, Kira fazendo massagem, acupuntura, Fernanda tentando soltar a placenta. Depois de uma hora e aos poucos, ela saiu.

Biel nasceu em 18 de março de 2013, às 6:06am.

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3 respostas para Relato de Parto Ju e Biel

  1. Ana Luz disse:

    caramba. cheguei ao fim do relato com os olhos marejados e prendendo a respiração. ❤

  2. Bruna Santos disse:

    Que relato lindo! Emocionada.

  3. Léo disse:

    lindo demais!

    meus dois filhos nasceram com a fernanda e a Kira….são espetaculares!

    chorei um pouquinho lendo esse relato…

    Aliás, o Tomás nasceu no domingo passado!

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