Mãe suficientemente boa

por Cristiana Boavista Quartin

Gosto muito da idéia winnicotiana de que a criança precisa de uma mãe suficientemente boa. A mãe suficientemente boa é humana, tem limites físicos, psíquicos, emocionais, financeiros e, principalmente com todo instinto materno, tem interesses na vida, que INCLUEM, mas vão além do filho. Porque se tem uma coisa, a mais importante de todas, que eu acredito que se possa passar para uma criança é que a vida é preciosa, boa e interessante! Isso se faz evitando um aditivo químico cancerígeno num alimento, tendo informação, mas sobretudo com o sorriso verdadeiro, que às vezes só pode surgir quando nos reconhecemos como seres desejantes, às vezes, até de um brigadeiro! Ou não…

Amamentar anos, não sair à noite pra não deixar com uma babá, não se permitir dormir uma manhã, não deixar comer uma guloseima ou ver um desenho na tv, não são regras de uma boa maternagem. A boa maternagem só existe a partir da pré-disposição do contato com o filho, com nós mesmas e com a sociedade, os que nos rodeiam. E contato significa sempre a experiência da alteridade, mesmo dentro de nós mesmas, daquilo que nos escapa, nos limita, é diverso, apesar das nossas teorias. E isso é tão caso a caso.

Fujam sempre de regras, porque as pessoas não são iguais, nem os bebês, nem as famílias, nem as culturas, e criar um filho é também inserí-lo nesse contexto e na diversidade. Cada uma de nós tem histórias e é fruto de histórias também. Viva o diálogo e a aprendizagem, sempre! Ser mãe é ser aprendiz. Como aprendemos sobre o essencial, sobre limites, sobre ceder e não ceder, e sobre a importância dos outros seres, inclusive do meio-ambiente, com a experiência da maternidade, que transforma nos obrigando a tirar o foco dos nossos egos, do nosso EU, não acham?

Viva o coletivo, e tomara que nosso foco seja sempre essa troca e respeito ao mistério da experiência do feminino, cuja maternidade é uma das facetas.

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Uma resposta para Mãe suficientemente boa

  1. maejuanajcs disse:

    que bom texto! Concordo com voce. A Mae precisa ser imperfeita, precisa “faltar” e se mostrar incompleta, assim o sujeito consegue sair do imaginário entra no mundo simbólico! Tento servir de exemplo pra minha filha, de bons costumes e também de imperfeições, claro.

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