Manual de etiqueta ao abordar uma mãe com um bebê — em 10 lições

por Ana Luz

Prezados habitantes de um universo paralelo ao meu (onde você não carrega um bebê por aí aonde quer que vá): este texto é pra você, que ao encontrar uma mãe com um simpático bebê na rua, acaba interagindo com a dupla. Seguem algumas dicas de etiqueta para a interação.

1) Evite colocar sua mão na mão do bebê. Bebês estão passando pela fase oral, colocam tudo a boca. Sua mão pode até estar limpa, mas a mãe da criança não sabe disso e também não vai fazer muita diferença se você falar que acabou de lavar a mão. O sistema imunológico do bebê não está formado ainda. Você pode até não estar doente, mas com certeza tem um monte de microorganismos para passar ao bebê, que ele pode não estar preparado ainda para combater. Beijar, então, nem pensar!

2) Nunca ofereça algo para o bebê comer sem antes perguntar à mãe se ele já come ou se ele pode comer aquilo que você quer oferecer. Isso vale até para crianças maiores. Há muitos bebês que têm alergias como APLV ou a glúten, corante, ovo. E, mesmo que não tenham, há mães que simplesmente são mais restritivas com a dieta de seus filhos, e tudo bem. Podemos concordar em discordar e nos respeitar em nossas escolhas, certo?

3) Por favor, não pergunte “o que é que ele tem?”, “o que tem de errado com ele?” ou similares quando o bebê está chorando. O que quer que esteja acontecendo, a mãe provavelmente já sabe o que é e está fazendo o possível para resolver. Se o choro do bebê te incomoda, é melhor se retirar.

4) Também evite tentar adivinhar. Frases como “Deve ser fome, por que você não dá a mamadeira?” são comentários dispensáveis, na maioria das vezes. Mesmo que a mãe não saiba o que está acontecendo, ela precisa de tempo para entender os sinais do seu bebê, e os palpites costumam atrapalhar mais do que ajudar, podendo mesmo deixá-la nervosa. Respire e dê apoio emocional.

5) Ofereça ajuda, mas não insista. A mãe pode parecer enrolada, mas ela provavelmente já está bastante acostumada a fazer o que está fazendo. Se precisar de ajuda, ela vai logo aceitar, ou até mesmo pedir. Insistência distrai e perturba a concentração, ou seja, acaba atrapalhando também.

6) Elogie à vontade, mas se não tem algo positivo para falar, não fale. Histórias sobre como a prima do ex-namorado da sua vizinha perdeu de forma trágica um filho com a mesma idade dificilmente vão interessar. Pode ficar só interagindo com o bebê, que está tudo bem.

7) Nunca, em hipótese alguma, tire o bebê do colo da mãe sem que ela tenha solicitado ou consentido. Mães são apegadas às suas crias. O que faria uma leoa se alguém tirasse o filhote de perto dela? Melhor não pagar pra ver, certo?

8) Sabemos que é tentador, mas não faça comentários com uma voz engraçadinha, como se fosse o bebê falando – especialmente se for para dar palpite ou criticar o que a mãe está fazendo. É irritante.

9) Amamentação, mamadeira, sono, local onde o bebê dorme, se usa chupeta ou não usa chupeta, se já come ou ainda não, se já ingere açúcar ou não – são problemas exclusivos da mãe e do pai da criança. Pode ter certeza de que as decisões tomadas foram antes pesadas cuidadosamente de acordo com as possibilidades e os desejos daquela família específica. A menos que você seja o pediatra da criança ou um nutricionista/consultor de amamentação/odontólogo pediátrico altamente especializado, evite dar pitacos. Maternidade não tem regras.

10) Não julgue. Sério. Mesmo que você tenha parido 10 filhos e criado mais 10, e que todos estejam bem de vida, saudáveis e bem resolvidos. Ainda assim, quem sabe o que é melhor para aquele bebezinho em questão é a mãe dele – a pessoa que mais o ama no mundo.

Bom senso, minha gente. Nem sempre vem de fábrica, mas vale o esforço pra adquirir. Pense que você é um estranho e o bebê é a coisa mais importante da vida daquela mãe.

Abraços de uma mãe que esteve junto a uma estranha sem noção por 40 minutos num engarrafamento, com a filha chorando de sono.

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15 respostas para Manual de etiqueta ao abordar uma mãe com um bebê — em 10 lições

  1. Priscila disse:

    Cara, tanta coisa desnecessária, burra, ignorante.

  2. ritapediatra disse:

    Muito legal seu texto! Adorei seu blog.
    Sou pediatra e mãe de três filhos, um de três anos e gêmeos de dois anos. Já passei por algumas… imagine, se até eu, que dirão as outras pobres mães…
    Posso republicar este post em meu blog ?
    ritapediatra.wordpress.com
    Abraços.

  3. camila disse:

    Quanta asneira, sou mãe e não passei por essas frescuras

  4. ritapediatra disse:

    Republicou isso em Maternidade, Pediatria, Fotografia.e comentado:
    Mamães, futuras mamães e, principalmente, pessoas que não têm filhos: tenham cuidado ao julgar outras mães. Dificilmente você está sendo justo ou está certo em sua opinião.

  5. Lara disse:

    Moça, não acha que exagerou um pouco? no seu texto pode-se notar claramente que não gostou das atitudes da tal “sem noção”, mas achei um tanto indelicado as partes de “nao tente ajudar” e “nao tente adivinhar”… Há quem não suporte choro de criança por inúmeros motivos e esse tentar adivinhar é uma forma de ajudar a essa criança parar de chorar e não um pitaco na vida e na criação do seu filho.

  6. Joana disse:

    Também achei o texto um tanto exagerado. Você está basicamente dizendo que nenhuma tentativa de ajuda, pergunta ou toque são bem vindos, mesmo os bem intencionados. Tem gente mal intencionada, sim, cuja única intenção é julgar ou meter o bedelho na sua vida, mas a maioria das pessoas que “infringem” essas suas regras aí, só querem ajudar, genuinamente, ou talvez queiram saber como funciona a maternidade, ou queiram fazer um carinho, ou puxar um papo, sem saber realmente sobre o que é ou não é conveniente falar. Para essas pessoas o seu texto está sendo bastante indelicado. Ora, eu também não gosto que minha tia me pergunte o tempo todo para quando é o casamento, mas ela é uma senhora conservadora e só quer o meu bem, portanto eu não irei cometer a indelicadeza de lhe passar uma lista com tópicos de conversa aceitáveis.

  7. Mila disse:

    Muita imaturidade e arrogância..

  8. Danielle disse:

    Sinceramente, espero não ser esse tipo de mãe.

  9. ducabarreto disse:

    Certa vez estava andando com o bebê no carrinho, e uma senhorinha passou por nós no exato momento em que meu filho deu uma chorada alta, que eu, já escolada, reconheci logo como um último lamento antes de apagar de sono, coisa que sempre acontecia. Mas ela nnao sabia disso, e me disse: “Dá uma chupeta para esse menino!”, assim, como uma ordem, sem delicadeza alguma. Eu olhei pra ela e ignorei, continuei andando. Não deu outra, meu filho dormiu no segundo seguinte. Mas aí a sem noção começou a falar alto de onde estava, pra todo mundo (inclusive eu, claro) escutar: “Que absurdo, tem gente que não devia ser mãe mesmo!” e blablabla blablabla. Fiquei muito puta!! Pitaco desnecessário, inútil e arrogante, de quem acha que sabe mais sobre o seu filho ao tê-lo visto por dois segundos na rua do que você, que acompanha ele todos os dias!
    Noutra situação, meu filho começou a chorar de hiperexcitação numa festinha. Ele tinha ido em vaaários colos em pouco tempo num momento em que estava com sono, e ficou estressado. Chorou muito e alto mesmo. Eu me afastei pra tentar acalmá-lo e colocá-lo pra domrir, mas logo me vi rodeada de pessoas que queriam que aquele bebê se calasse de qualquer maneira, “será que é fralda?”, “deve ser dor, esse choro é de dor!”, “será que está com otite?” e apertavam o ouvidinho dele, arrumavam ele no meu colo, como se o modo como eu carregava não estivesse bom, só não arrancaram do meu colo sem meu consentimento porque o segurei firme e não deixei. Um estresse que o pequeno sentia e chorava ainda mais! Tive que me acalmar, pedir a todos que saíssem e me deixassem sozinha com meu filho, e só então consegui acalmá-lo e ele logo dormiu.
    Tudo isso pra dizer que compreendi perfeitamente o que você quis dizer, Ana Luz. Os pitacos são um saco mesmo! Especialmente quando vêm de estranhos que nada sabem sobre você, sobre o seu bebê ou sobre como vc escolheu criá-lo… Sinta-se acolhida! Tamo junto!

  10. Marina disse:

    Isso não é frescura ou exagero, é a realidade de um mundo onde as pessoas adoram se meter na vida dos outros e acham que estão sempre certas, sabem de tudo! Muito ajuda quem não atrapalha!!!!

  11. Pri disse:

    Esse texto é perfeito e verdadeiro, quem acha exagero é porque ainda não teve filho ou tem sangue de barata. O povo se mete pacas MESMO!

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