Não sou a melhor mãe do mundo

por Débora de Magalhães

Para começar, assim, logo de cara, preciso confessar: eu não sou a melhor mãe do mundo.

Eu até tentei ser, se não a melhor ou uma das melhores, uma bem boa, dessas que a gente se orgulha de ser ou ter. Durante a gravidez até achei que estava acertando.

Achei que deveria caprichar no enxoval: investi num carrinho sensacional, comprei um berço lindíssimo, uma cadeira de amamentação, muitas roupas e mais dezenas (ou centenas?) de itens que me disseram ser fundamentais para a chegada desse novo ser. Algumas vezes me bateu uma tristeza porque eu queria comprar mais e a grana já tinha acabado.

Aí nasceu o Gabriel, e com ele eu percebi que o super carrinho, não era necessário, podia ter sido um desses mais simples que iria atender bem, o berço se tornou dispensável, consegui amamentar na cadeira de amamentação pouquíssimas vezes, sempre dava preferência ao sofá, cama, chão, bebê pendurado no braço enquanto eu andava pra lá e pra lá. Quanto as roupas, ele perdeu um monte e bem rápido mesmo.

Hoje quando vejo algumas amigas dizendo que precisam guardar bastante dinheiro antes de pensar ter um filho, fico pensando se elas tem conhecimento da quantidade de produtos que o mercado nos empurra a comprar com a desculpa que é o melhor pros nossos filhos. Num ciclo consumista que nunca acaba. E lá, no ápice dos hormônios caímos cegamente, pensando que estamos naquela compra oferecendo o vital, o necessário. Não estou dizendo que ter um filho não demanda dinheiro, mas estou chamando para a realidade que o dinheiro, muitas vezes não é investido no que é realmente necessário neste momento. Seu filho não precisa de cadeiras que vibram e relaxam, suporte que segura mamadeira ou mesmo a própria mamadeira, ou o leite de pote que pode estar dentro dela, móbiles não precisam cantar músicas, kit de berço não precisa ser de patchwork…

Um novo ser não precisa disso. Um novo ser precisa de amor incondicional. Ele pode dormir no berço, carrinho, sofá, colchão, mas o lugar de preferência ainda será o seu colo. O amor incondicional não se mede com as quantidade de produtos modernos que você oferece a um filho. Amor incondicional nem se mede, se sente, dia após dia na entrega e na dedicação. Seu filho e meu filho não precisam deste arsenal para as novas e boas mães.

Que tipo de pessoa estamos querendo formar? Uma que dê preferência ao ter do que ao ser? Não, não quero meu filho precise de um objeto, que transfira sua felicidade para a posse de algo. Quero que meu filho se divirta, que descubra novos brinquedos com o cotidiano, ou que se divirta comigo com os potes plásticos da cozinha.

Quero que ele não se importe com roupas de marca. Que ele se vista de acordo com sua vontade e que não se importe como suas escolhas são socialmente vistas.

Quero que meu filho se sinta bem sem usar de artifícios para suas conquistas.

Quero saber como guia-lo neste caminho, quero mudar meus paradigmas e não me vender a indústria materna e suas propagandas que propagam que as boas mães compram isto ou aquilo. Quero sair deste universo consumista e não quero que meu filho ao menos entre nele.

Eu não sou a melhor mãe do mundo e vejo muitas vantagens nisto.

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2 respostas para Não sou a melhor mãe do mundo

  1. Gê Alves disse:

    Clap clap clap perfeito 🙂

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