Meu Parto duplo

Por Débora de Oliveira
Eu sempre quis um parto natural desde que a maternidade despertou em mim. Quando encontrei a pessoa certa, que hoje é meu marido, ou melhor, companheiro, porque marido qualquer um pode ser. Porém, companheiro são poucos e o meu marido é um desses raros exemplares que Deus permitiu que eu encontrasse. Então, começamos a estudar sobre o assunto e “correr atrás” de profissionais que fizessem partos naturais e descobrimos que são raros e pelo plano de saúde é impossível encontrá-los. Visitamos dois profissionais e nos decidimos pela obstetra Fernanda Macedo (ótima pessoa e profissional) e juntamos dinheiro por cerca de 01 ano e não trocamos de carro para realizar o nosso desejo.
Enfim, dia 09 de setembro as 5h da manhã acordei sentindo algumas contrações leves, esse momento foi mágico, pois tive a certeza que estava entrando em trabalho de parto, após 02 semanas do previsto pelos exames, após 2 semanas de muita pressão dos familiares, esses que deveriam me apoiar e não me questionar e colocar ideias negativas em minha cabeça, depois de ir por 2 domingos seguidos à Perinatal fazer exames para verificar o bem estar fetal e após fazer 01 sessão maravilhosa de acupuntura (Alice foi maravilhosa…! ) para tentar induzir de forma natural o parto e muito escalda pés, logo em seguida às 10h o meu tampão começou a sair e entrei em contato com a Diana (Doula – Perfeita) e ela muito feliz me parabenizou e disse: “Isso é só o começo”.
As contrações continuaram e recebi às 17h uma visita que me deixou muito feliz da Aline Collodetti que deu uma “passadinha” para me ver e me encontrou em pleno trabalho de parto, mas com contrações não muito fortes. Na sequência dos acontecimentos por volta das 19h e após me monitorar por telefone, chegou a minha casa a Diana (doula), eu já estava com contrações mais fortes e embaixo do chuveiro para tentar aliviá-las. Ela me examinou e disse que eu estava indo bem, sai do chuveiro e fui para a cama, mas não conseguia ficar deitada ou sentada e pedi para ir ao chuveiro novamente, algum tempo depois ela me examinou e disse que eu estava com 03 cm de dilatação e as contrações estavam cada vez mais intensa, eu urrava a cada contração, a Diana me massageava e me acalmava o tempo todo. Exatamente as 22:40h a doula chamou o Caíme (marido) e disse: “Esta na hora de irmos para a maternidade” . A essa “altura do campeonato” eu estava com 05 cm de dilatação e deitada no chão do banheiro sem condições de responder por mim. Diana e Caíme me vestiram, me colocaram no carro e chegamos a Perinatal às 22:55h. Colocaram-me na cadeira de rodas e fui direto para sala de parto natural, urrando muito. Lembro-me do rapaz que conduzia a cadeira, eu segurei a mão dele e apertei com força, eu podia sentir o desespero dele em me ver, foi engraçado!!! Logo depois, a Diana apareceu vestida com as roupas da Perinatal e ligou a banheira para que eu pudesse entrar e finalmente realizar o meu grande momento de parir, foi quando a Fernanda Macedo toda simpática como sempre, me examinou e disse que eu estava com 08 cm de dilatação, eu só gritava a cada contração, mas no decorrer do processo comecei a perceber a preocupação da Fernanda ao auscultar os BCFs, ela pedia para eu ficar de lado para oxigenar o bebê melhor e para ela me examinar e definir que decisão iria tomar. Ela me examinou e saiu da sala para falar com o Caíme. Quando retornou veio conversar comigo e dizer que infelizmente teríamos que fazer uma cesárea de emergência para preservar a saúde do bebê. Ela disse que eu estava bem e aguentaria o expulsivo, porém o bebê poderia sofrer, concordei na mesma hora porque confio inteiramente nesta profissional, profissional esta que me respeitou durante todo o pré-natal e até aquele momento não tinha sido diferente. Logo, a equipe toda chegou para preparar a cesárea e ocorreu um fato que não posso deixar de relatar. Como as contrações estavam quase insuportáveis quando eu vi a anestesista chegar eu gritei: “ Já que tem que cortar, me dá logo essa anestesia”. Depois que recebi a anestesia e não senti mais da cintura para baixo, não consegui conter as lágrimas de frustração, eu estava tão perto e só escutava a água cair na banheira, mas o destino não quis, foi quando a anestesista olhou para mim e disse: “Aqui, ninguém chora de tristeza”. Enxuguei as lágrimas rapidamente, pois tinha que estar feliz porque eu estava sendo submetida a um procedimento cirúrgico que garantiria o nascimento saudável do meu bebê. Então, as 00:37h do dia 10 de setembro nasceu Caiuã com 50 cm e 3.115g com apgar 8/9 após 42 semanas e 4 dias segundo os USG e 41 semanas e 4 dias confirmados pela pediatra (maravilhosa…) como imaginávamos.
O importante é que respeitei o tempo certo do nascimento do meu filho, liberando muita ocitocina, meu filhote mamou imediatamente ao nascer, não sofreu intervenções, não ficou na incubadora e foi pro quarto, direto comigo, e lá permaneceu até nossa saída. A minha cesárea foi totalmente necessária, humanizada e respeitosa. Esqueci de comentar: A anestesista também foi nossa fotógrafa, pois o Caíme “pegou” uma máquina emprestada com nossos irmãos-amigos (Bruno Almeida e Luisa Ribeiro) com 01 mês de antecedência e detalhe tirou apenas uma foto do meu trabalho de parto em casa e estava todo enrolado na maternidade com a máquina.
Em suma, meu parto duplo (90% natural e 10% cirúrgico), considero dessa forma, pois agora, tenho conhecimento de causa sobre os dois tipos de parto e posso garantir que apesar das dores quase insuportáveis e de não ter tido nenhum problema com a minha cesárea eu prefiro e sempre indicarei o PARTO NATURAL.
Mulheres, sejam poderosas, não tenham medo, as dores são, muito, muito, muito, muito fortes – não irei mentir. Porém, os benefícios para os seus filhos e para vocês são únicos. Após 15 dias do parto eu já estava com o meu peso normal (amamentação ajudou), meu leite “desceu” rapidamente e estou amamentando sem ter que dar fórmula infantil.
Gostaria de aproveitar e agradecer a toda equipe humanizada (obstetra, pediatra, anestesista, doula e assistente), a todos os amigos que torceram muito por mim e ao meu marido por acreditar em mim a todo o momento.
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