Manual de etiqueta ao abordar uma gestante — em 10 lições

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por Diana Schneider

Sempre falo em minhas aulas e para as gestantes que acompanho sobre a importância de usar o filtro. Sim, mas não pensem que estou falando do filtro solar, este também é importante, porém não tão fundamental quanto o filtro nos ouvidos! Esse sim faz toda a diferença! Bastou estar grávida que a figura social muda, todos querem opinar, tocar, sorrir, dizer o que está certo ou errado, dar previsões sobre o rebento, orientar sobre o horário adequado que você deve ou não estar na rua, ou seja uma miscelânea de pitacos!!!

Selecionei algumas dicas de etiqueta importantes para quem for abordar uma gestante na rua ou em qualquer lugar:

Nº 1 – Nunca pergunte se foi planejado ou não, simplesmente abra um sorriso e dê parabéns desejando uma gestação positiva e uma boa hora!

Nº 2 – Perguntar para uma gestante grávida de múltiplos se ela fez tratamento de fertilidade pode ser indelicado, soa melhor querer saber se existem casos na família.

Nº 3 – Comparar a barriga com uma melancia é terrível e inconveniente, pior do que isso é querer saber quantos quilos ganhou, dizendo com a face aterrorizada: Nossa, tudo isso?! Seja positivo, diga para ela não se preocupar com o peso que está ganhando desde que a qualidade dos alimentos ingeridos seja boa, e aproveite para reforçar que a amamentação ajuda no emagrecimento no pós-parto!

Nº 4 – Por outro lado, também não pega nada bem comparar a barriga com uma azeitona! Querer comparar com sua experiência pessoal (ou de outra conhecida) fazendo pouco caso do cansaço alheio é deselegante e grosseiro. Cada gestante tem seu biotipo, e o cansaço e o peso gerados pela barriga são relativos. Além disso, o tamanho da barriga varia de mulher para mulher e de gestação para gestação. Dizer que a barriga está pequena demais ou muito grande é sempre comparar algo ou alguém em um evento que é pessoal. Então só elogie, será muito mais saudável e positivo!

Nº 5 – Lembre-se de que as experiências da gestação e do parto são sempre pessoais e intransferíveis, porém a imaginação de uma gestante é muito fértil, ou seja, se você teve uma experiência ruim no seu parto ou sabe de alguma tragédia, conte para o seu porteiro, medite ou chame alguém que não esteja grávida para desabafar. Evite ao máximo levar notícias desagradáveis desnecessariamente para uma gestante, esta não ação é geradora um dia tranquilo e de uma noite boa!

Nº 6 – É muito triste dizer e pensar que quando o bebê nasce a vida acaba! Além de ser muito pesado sentir e proferir isso, é uma inverdade! Faça melhor: diga que as adaptações existem realmente, mas é um prazeroso aprendizado! Esta afirmação é um verdadeiro carinho para quem escuta!

Nº 7 – Enjoos não são frescura de mulher grávida, estão ligados a produção hormonal. Algumas mulheres vão sentir, e outras, não. Em vez de julgar, pergunte se ela deseja mascar algo, reforçando a ideia, sem ser indelicado, da importância de comer a cada três horas. Atenção e zelo são sempre bem-vindos!

Nº 8 – Um dos conselhos preferidos das pessoas para a gestante é: “aproveite para dormir agora, porque depois…”, donde se conclui que, depois de nascido o rebento, ela nunca mais dormirá. Sejamos objetivos, sono não tem banco de horas!! Então trata-se de um conselho inútil ou mal intencionado, a fim de deixar a grávida desanimada em relação ao seu futuro… Abstenha-se de fazer esse comentário desagradável e, ainda por cima, pouco original. Fale sobre o tempo.

Nº 9 – Nunca, em hipótese alguma, deixe-se levar pela crença popular de que barriga de grávida é coisa pública. Antes de colocar a mão na barriga de uma mulher que você nem conhece, pergunte-se se você gostaria que um(a) desconhecido(a) passasse a mão na sua barriga (ou na da sua mulher)… Coloque as mãos nos bolso, e deseje saúde para o bebê e uma boa hora para a mãe.

Nº 10 – Ao invés de ficar chocada(o) com a opção de escolha da gestante pelo parto natural, normal ou domiciliar, lembre-se que desde que o mundo é mundo as mulheres dão a luz, e hoje, diferente de antigamente, podemos contar com o pré-natal para garantir que tudo está bem. Importante afirmar, gestação de baixo risco é saúde!!!

Essas foram algumas dicas de como transformar pitacos vazios em apreciações cuidadosas, e podem apostar que faz toda a diferença!

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Sobre Diana Schneider

Diana schneider se dedica ao estudo da ciência do inicio na vida. Coordena o Studio Dharma Gaia, local de desenvolvimento atividades voltadas à sustentabilidade do ser. É Educadora Perinatal formada em Ecologia do Parto e do Nascimento pela Primal Health Research (Londres), tendo como orientadores Michel Odent e Heloisa Lessa. Aos 15 anos de idade, acompanhou seus primeiros partos em Belmonte, no interior da Bahia, aderindo em meados de 2009 a Equipe de Parto Ecológico do RJ, especializada em partos domiciliares planejados, onde desenvolve trabalhos com as enfermeiras obstetras /parteiras do grupo. Se capacitou em diversas atividades para poder oferecer o máximo de apoio físico e emocional à mulher durante a gestação, parto e pós-parto. Tendo como base e sendo docente em Ayurveda, desenvolve um trabalho exclusivo utilizando a dança, massagem e Yoga como preparação para o parto ativo, valorizando a mulher como protagonista de seu processo de dar a Luz. Dedicada à pratica de Garbhini Paricharya (cuidados pré-natais) e nas terapias de Shamana (pacificação dos doshas) que são de extrema importância para a prevenção e promoção da saúde como um todo. Formada pela Escola Yoga Brahma Vidyalaya – Fundação Sri Vájera e CIYMAM (curso creditado pela International Academy of Ayurveda - Índia). Estudou com muitos mestres e doutores em medicina Ayurvédica. Como bailarina, ministra aulas e cursos de Dança do Ventre para gestante, aprendizes e profissionais.Tem em sua formação grandes mestres nacionais e internacionais como Randa Kamel (Egito), Saida(Argentina), Shanan(Argentina), Lulu Sabongi (Brasil), Carlla Silveira(Brasil), Jhade Sharif (Brasil), Anthar, entre outros.
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