escolhendo parceiros para um parto natural

por Diana Schneider

Juntamos dinheiro para viajar, comprar roupas novas, sapatos, trocar de carro, mudar a televisão, o celular, computador, laptop e, entre outras coisas mais importantes ou não, investimos o dinheiro suado da labuta para termos um conforto adequado na medida do possível. O que eu não entendo é que muitas vezes as pessoas têm resistência em investir em si mesmas. Falo isso em relação ao parto.

O parto é uma experiência única, independente da quantidade de filhos que se tenha, sempre vai ser diferente. É um evento que marca para sempre tanto a vida da mãe, que está parindo, quanto o filho que chega “diretamente do mundo de dentro”. Sem dúvida nenhuma, é muito triste pensar que nosso sistema de saúde seja tão falho e que a máfia dos planos de saúde seja tão perversa.

Pagamos a vida inteira um plano de “saúde” para podermos usufruir quando necessário. Esse é o pensamento mais lógico quando contratamos um serviço, nada mais justo do que querer utilizá-lo! Porém, o plano de saúde, dependendo do convênio, paga em média para o obstetra de R$400 a R$600 reais, o que não compensa para o profissional, enquanto ser sobrevivente de uma selva de pedras, desmarcar o consultório inteiro para esperar o desenrolar do trabalho de parto.

Isso também não justifica a falta de ética de criar situações e inverdades para indicar uma cirurgia. É muito mais honesto dizer que não banca dar assistência ao parto natural/normal, do que falar que vai esperar e ficar aguardando a deixa certa para “cantar a letra” que já cansamos de escutar: “Hum, seu bebê não encaixou até agora, então teremos que marcar uma cesárea”, ou então o clássico da circular de cordão! Entre lorotas e mentiras, essa assistência vai sendo pautada em uma grande cilada. Quando o “parto normal” acontece nessa configuração, na grande maioria das vezes, o processo vem cheio de intervenções desnecessárias, para dar uma aceleradinha na “cadência do samba”, e tome droga! Entre sintéticos, ambiente perverso, cutuques e falações, o bebê, que é o produto desse sistema tecnocrático, está esperando o momento para pedir arrego, e no suplício instante que o coração fala mais alto, ou mais baixo, o circo se arma.

Certa vez, soube de um caso onde a gestante que estava sendo assistida por uma “obstreta” e que queria ter um parto normal, ao fazer uma visita para conhecer a pediatra que iria participar do parto, ficou sabendo pela mesma que sua cirurgia já estava marcada!!! Ela tomou um susto, a pediatra, percebendo a gafe, não conseguiu contornar a situação e, para sorte de mãe e bebê, um outro obstetra bancou receber uma gestante com 38 semanas e ela teve seu tão desejado parto normal!

O que eu quero dizer com tudo isso e mais um pouco, é da importância da escolha das parcerias certas. Olho no olho, afinidades, profissionalismo, sinceridade e abertura para falar o que se pensa e o que se sente fazem toda diferença quando escolhemos quem vai nos acompanhar nessa jornada. Desde que o mundo é mundo damos luz aos nossos afetos e filhos. Nunca esqueçam que fomos feitas para parir! E, para isso, não precisamos de muito! Sossego, segurança e uma escuta atenta para as necessidades da “boa hora” deveriam ser um direito para todas as mulheres e um dever para todos que escolheram essa prática como ofício.

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